Mostrando postagens com marcador insegurança. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador insegurança. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 17 de agosto de 2010

15 - Inteligência

Estou realmente muito orgulhoso de você. Uma das coisas que mais me chamou a atenção é sua inteligência. No começo foi apenas uma impressão e hoje é uma grande certeza.
Essa capacidade de analisar e entender as pessoas, bem como a sua natureza, é tão interessante e quando percebo que existem pessoas que fazem isso de forma instintiva, sinto-me tanto satisfeito quanto inquieto e além disso, invejoso. Eu consigo notar muitas características, mas é sempre de forma superficial e logo minha mente tende a dissipar essas informações. É uma inteligência nata perceber as frustrações e desejos não-ditos simplesmente pela relação social. São coisas e sinais que eu enxergo, mas não me posiciono para entender, ignoro.

Hoje tive uma conversa e ouvi que se fosse um amigo "verdadeiro", daria conselhos e coisas desse tipo. Realmente, é algo que deveria fazer quando percebo que meus amigos estão caminhando de forma perigosa, porém eu mantenho uma postura negligente. Não por não analisar, negligente por ignorar a situação. Prefiro observar até que ponto tudo pode se prolongar, até que ponto vai continuar.

Minha inveja nesse caso se baseia no fato de que essa capacidade intelectual é extremamente útil e poderia me ajudar de muitas formas. Principalmente no fator evolução pessoal. Tenho medo muitas vezes de me sentir amorfo, transitório. Quando a sua natureza é mutável ou maleável de acordo com o que está acontecendo, o aviso de desconfiança é enormemente vísivel. Quando é notorio que ninguém lhe conhece e a partir dessa premissa você pode criar qualquer atitude, mesmo sabendo que isso é a forma mais natural do ser, para todos torna-se complicado ter segurança. Uma vez compreendendo, não mais ignorando, é possível mudar esse quadro de insegurança.

É uma felicidade ter essas pessoas instintivas nessa capacidade intelectual por perto. A ignorância e a sabedoria são coisas que consomem a alma e podem ser transmitidas. Um ignorante não percebe sua ignorância enquanto vive em antro de ignorantes; Tendo essas pessoas próximas, me sinto bem e mentalmente ativo. Tenho certeza que posso aprender e que elas podem me ajudar nesse processo.

domingo, 8 de agosto de 2010

9 - Relações masculinas com meu pai.

Dia dos pais. Eu tenho muito orgulho de ter um pai como ele... é uma pessoa boa e inteligente. Nunca nos bateu e sempre optou pela conversa. Fomos almoçar fora, num restaurante coreano conhecido pelas nossas irmãs, onde pude experimentar algo diferente.
Na volta, algumas questões voltaram a minha mente. São questões de extrema aflição. Me pego pensando em como tenho medo de ganhar a desaprovação dele, que fez de tudo para me criar e me dar uma boa estabilidade. Em nenhum momento quero fazer com que ele se sinta envergonhado ou irritado, algumas vezes já discutimos e todas as vezes foram um erro, um pior que o outro.

Tenho medo das consequências de desaprova-lo. As consequências que trariam pra saúde de meu pai e para o emocional de minha mãe. Por vezes me sinto preso a eles, como uma obrigação. Afinal, eles sacrificaram boa parte dos objetivos e promessas de vida que teriam se não tivessem filhos. Uma fardo por vezes agradável, que lhes dava uma sensação de complementação e cuidado, mas mesmo assim, um fardo. Meu pai por vezes se mostra frustrado pela falência; minha mãe gostaria de ter feito outra faculdade.

Fugir deles, como uma forma de liberta-los da tristeza de ter um filho que não corresponde aos aspectos emocionais que em mim depositaram, é impossível. Porque da mesma forma, seria outro motivo de preocupação, como constatei. Novamente, me vejo preso aos meus pais e isso não é uma boa coisa.
Existem coisas, que ditas anteriormente ao meu pai, foram motivo de grande crise e ambas as partes preferiram deixar "as coisas como sempre foram". Acontece que as situações mudam e nem de longe eu sou o filho que ele queria que eu fosse e por mais orgulho que ele tenha, é um orgulho falso, basicamente por eu ser de sua linhada; não pelas minhas escolhas e atitudes pessoais.
Às vezes percebo que ele se frustra com nossa distância, mas como sermos próximos se somos pessoas tão diferentes? Meu pai é uma das pessoas mais cultas que conheço, alguém que tenho como exemplo, porém é um homem de seu tempo. Talvez tenha o mesmo pensamento que eu em relação a ele e isso é definitivamente um paradigma de muitos pais e filhos. Muitas coisas entre nós se parecem com tabus. Existem e ninguém é cego, mas é melhor evitar o estresse envolvido.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

5 - P. Dissociativa. Caim.

Tem algumas horas que já estou em casa. Passo o dia inteiro pensando nas coisas que tenho que fazer, resolver, pesquisar e sempre que volto sinto uma vontade enorme de não fazer nada das coisas que ansiei.

Eu sempre considerei meus pais como meio desestruturados, mas nunca pais falhos ou ausentes. Hoje, porém, eu penso que talvez o problema seja outro. Por algum motivo aleatório eu sempre tendo a perceber a culpa nas pessoas e o quanto fui injustiçado, mas pensando com seriedade, talvez a realidade possa ser diferente. É estranho pensar dessa forma, uma vez que anula o meu próprio entendimento das situações.
Não isoladamente, já me ocorreu um confronto e nesse caso já ouvi comentários estranhos e acusações de alterar a percepção e mudar o que foi dito. Nessas horas só uma coisa parece fazer sentido: que pessoas loucas e revoltadas, desestruturadas e neuróticas.
A minha tendência pessoal é a de indagar tudo e com isso o mundo confunde-se mais. Não dificilmente testei reações nas pessoas e quanto mais dissimulado consigo ser, mimetizando reações, expressões e falas de pessoas consideradas corretas, melhor é o resultado adquirido. Quando, pelo contrário, cínico e forçado são adjetivos por vezes escutado. Parece-me inaceitável ter que agir forçadamente para parecer natural, anular tudo o que se é para que se possa ser algo verdadeiro ou ao menos não piorar a sensação das outras pessoas sobre nós. É preciso ser feliz e sorrir o tempo todo.
Em razão disso, é pra mim estranho manter relações duradouras, pois parece, mesmo eu não percebendo, para os outros díficil e tedioso lidar com alguém real, na instância do real que apresentei; e com o tempo, se torna angustiante essa anulação do ser já dita anteriormente em troca do convívio. Outra coisa me incomoda seguidamente, o sentir que a maioria das pessoas sente, é totalmente diferente. Muitas situações emocionantes aos demais, nada me interferem e principalmente, parece horrível quando o que deveria sentir [segundo o conhecimento sobre] não é sentido. Essa indiferença causa-me tristeza e inadequação.