Mostrando postagens com marcador ajuda. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ajuda. Mostrar todas as postagens

domingo, 15 de maio de 2011

Sabedoria

Trecho de texto escrito por Danuza Leão na Folha de S. Paulo.

"   Foram muitos os bons momentos, tão felizes e tão inesquecíveis, que prefere até esquecer. Quanto aos maus momentos, foram também tantos, que faz tudo para não lembrar, e às vezes até consegue.
    Se houvesse uma maneira de apagar tudo, passar uma borracha, não lembrar nem do bom nem do ruim, zerar -é, zerar tudo, como seria bom.
    Agora, pelo menos, já sabe; às vezes acorda feliz, sem nem saber por que, sai de casa, na primeira esquina tropeça e fica no pior humor da vida. Já no dia seguinte acorda péssima, um amigo telefona e fala de maneira carinhosa, e a vida se torna, de repente, deliciosa de ser vivida. É essa certeza de que tudo pode mudar em minutos, segundos, que nos ajuda a segurar, quando tudo fica díficil.
    Quando as coisas estiverem indo mal, pense em quantas outras vezes elas estiveram tão mal quanto, às vezes até pior -e depois passou.
    Não se queixe, não reclame, não chore, não se descabele, apenas espere; apenas espere, com aquela quase resignação que parece até indiferença, que vê tantas vezes nos olhos dos mais velhos, que sabem que vai passar -porque sempre passa.
   A essa resignação se pode chamar sabedoria ou experiência -o que, no final, é mais ou menos a mesma coisa."



Things get better. Stay Strong


sexta-feira, 6 de agosto de 2010

5 - P. Dissociativa. Caim.

Tem algumas horas que já estou em casa. Passo o dia inteiro pensando nas coisas que tenho que fazer, resolver, pesquisar e sempre que volto sinto uma vontade enorme de não fazer nada das coisas que ansiei.

Eu sempre considerei meus pais como meio desestruturados, mas nunca pais falhos ou ausentes. Hoje, porém, eu penso que talvez o problema seja outro. Por algum motivo aleatório eu sempre tendo a perceber a culpa nas pessoas e o quanto fui injustiçado, mas pensando com seriedade, talvez a realidade possa ser diferente. É estranho pensar dessa forma, uma vez que anula o meu próprio entendimento das situações.
Não isoladamente, já me ocorreu um confronto e nesse caso já ouvi comentários estranhos e acusações de alterar a percepção e mudar o que foi dito. Nessas horas só uma coisa parece fazer sentido: que pessoas loucas e revoltadas, desestruturadas e neuróticas.
A minha tendência pessoal é a de indagar tudo e com isso o mundo confunde-se mais. Não dificilmente testei reações nas pessoas e quanto mais dissimulado consigo ser, mimetizando reações, expressões e falas de pessoas consideradas corretas, melhor é o resultado adquirido. Quando, pelo contrário, cínico e forçado são adjetivos por vezes escutado. Parece-me inaceitável ter que agir forçadamente para parecer natural, anular tudo o que se é para que se possa ser algo verdadeiro ou ao menos não piorar a sensação das outras pessoas sobre nós. É preciso ser feliz e sorrir o tempo todo.
Em razão disso, é pra mim estranho manter relações duradouras, pois parece, mesmo eu não percebendo, para os outros díficil e tedioso lidar com alguém real, na instância do real que apresentei; e com o tempo, se torna angustiante essa anulação do ser já dita anteriormente em troca do convívio. Outra coisa me incomoda seguidamente, o sentir que a maioria das pessoas sente, é totalmente diferente. Muitas situações emocionantes aos demais, nada me interferem e principalmente, parece horrível quando o que deveria sentir [segundo o conhecimento sobre] não é sentido. Essa indiferença causa-me tristeza e inadequação.